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Mulheres do Acampamento Lindaura Lacerda promovem Chá da Amizade

8 novembro 2010 Comentários desativados em Mulheres do Acampamento Lindaura Lacerda promovem Chá da Amizade

O grupo de mulheres do Acampamento Lindaura Lacerda, no Sudoeste da Bahia, se encontrou no dia 30 de outubro para a realização de um chá de confraternização. Com objetivo de interagir e refletir a participação das mulheres do acampamento junto às ações do Projeto de Formação de Lideranças Femininas impulsionado pelo CEAS e discutir questões que envolvem as mulheres, no que diz respeito aos conflitos de gênero, trajetórias, expectativas de vida e aspirações. No primeiro momento, escolheram de forma coletiva o nome “Chá da Amizade”, refletindo sobre o significado da amizade principalmente entre elas: Qual a importância da amizade para fortalecer as lutas coletivas, nas tomadas de decisões e nas esferas da organização? As várias falas e depoimentos confirmaram a vocação dessas mulheres para exercerem lideranças, participar e intervir nos espaços que muitas vezes ainda são considerados dos homens.

Com a dinâmica da “amiga cega”, com os olhos vendados, elas tiveram que reconhecer as companheiras somente com o toque das mãos, ficando atentas a cada detalhe: toque da pele, cabelos, perfumes, formato do corpo. A partir dessa atividade desenvolvida, elas puderam compreender que somente pelo conhecimento de cada uma, da aproximação coletiva e organizada podem romper com o isolamento. Deixar isso claro para o grupo foi fundamental para que elas se concentrassem no exercício de construção de seu autoconhecimento e compreendessem que, de fato, só dependiam das mesmas para obter a confiança, a união e principalmente a organização para reivindicar os seus direitos. “Precisamos nos reconhecer como mulheres, como acampadas e principalmente como companheiras na luta” disse Rita.

Mesmo com essa significativa participação, ainda falta muito para ser conquistado, destacando a redefinição do espaço e o papel da mulher na sociedade, os saberes construídos na luta pelo direito a terra. Já que muitas vezes o papel e as experiências da mulher, em geral, são preteridos e esquecidos.

Acreditamos que, ao recuperar a autoestima e o autoconhecimento das mulheres, contribuímos significativamente para valorizar a organização feminina e o trabalho por elas realizado.  Bem como abrimos espaços de expressão para retirar do silêncio o trabalho e os saberes femininos.

Para finalizar, serviu-se o chá e seus quitutes,  regados com diversas conversas entre mulheres, jovens e homens. “Isso serve pra gente se conhecer melhor e ficar mais unidas” completa Lourdes.

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