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Intercâmbio Sul-Sul em Irecê

11 novembro 2010 Comentários desativados em Intercâmbio Sul-Sul em Irecê

De 03 a 06 de novembro de 2010, uma delegação de 15 pessoas formada por acampad@s do acampamento Lindaura Lacerda, Encruzilhada – BA, técnicos e lideranças do MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores) e assessores do CEAS participou do intercâmbio sul-sul em AGROECOLOGIA em Irecê. O intercâmbio é uma parceria entre o Instituto de Permaculturas em Terras Secas, IPÊTERRAS (Irecê – BA), o Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica, CAV (Turmalina – MG),  CEAS e da ONG suiça E-CHANGER.

O objetivo deste encontro era descobrir outras realidades e compartilhar experiências e práticas de produzir em terras do semiárido. A programação deixou um amplo espaço para visitas e encontros com agricultor@s na região de Irecê, todas com foco da preservação – recuperação de nascentes e terras degradadas. O intercâmbio que reuniu agricultores, lideranças, técnicos e assessores das 03 regiões e que contou com o apoio da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Município de Irecê, terminou no dia 06 com um seminário em Agroecologia que com a participação de mais de 150 pessoas.

Abrimos um espaço para depoimentos:

“Todas essas árvores foram plantadas – chega de falar em desmatamento para produzir, aqui mostra que o contrário é possível, não precisa desmatar para produzir! Se eu corto um pé de arvore, tenho que replantar quatro para preservar o ambiente. Índia é um exemplo para tod@s nós: é guerreira, de toda madeira conhece o nome e como usar, fazer remédios. Temos que conviver mais com a nossa madeira. Foi muito importante enxergar isto. O futuro da gente é por aí, ainda temos muitos anos de luta, vejo que a terra mãe é recuperável, que dá tudo que planta. Se o agronegócio ganha, os nossos bisnetos ficam sem água e nenhum pau para encostar.”

Dona Lourdes, acampamento Lindaura

“Fico feliz em conhecer todo este trabalho de recuperação das nascentes e solos, dá um gás a mais a nossa luta no Lindaura, pois temos 2350 ha em solos degradados, fruto de uma exploração com monocultura de pasto durante anos. A recuperação das nossas nascentes é uma preocupação forte e constante. Como recuperá-las? Será possível? Fiquei impressionado com os resultados obtidos pelo trabalho solitário desta família – imagina o que podemos fazer em coletivo! Nós temos condições, queremos e podemos! Ainda me pergunto qual seria a melhor forma de casar “produção” e “preservação”.

Adenilson (liderança MPA, acampamento Lindaura)

Já no dia seguinte Adenilson colocou:

“A caminhada de hoje foi muito boa, me tirou algumas dúvidas ainda presentes ontem. Agora estou ainda mais convencido que a filosofia do modelo dominante que proclama que TEM que destruir para poder produzir, é um grande erro, um engano – mentira. A roça daqui é a prova do contrário, é possível produzir, muitas coisas consorciadas em harmonia com as condições do contexto, preservando o meio ambiente, a água e os solos.”

Boa Ventura (STR, Turmalina, MG).

Confiantes que as sementes trocadas e plantadas neste intercambio encontrem agora a mãe terra fértil e a água da vida para brotar, crescer, ficar forte e produzir um monte de sementes.

Vitória da Conquista, 09 de novembro 2010

Bruno Kull

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