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Encontro sobre o rio Pardo: esperança na luta

1 dezembro 2016 Nenhum comentário

descaminhos-rio-pardoEm meio à animação de cantos, violas, (re)encontros e apresentações, foi aberto o primeiro dia do encontro “Os (des)caminhos do rio Pardo e seus Afluentes: água, hoje e amanhã”, na manhã do dia 30 de novembro de 2016, em Vitória da Conquista – BA, com a participação de cerca de 120 representantes de diversos movimentos, organizações, associações, sindicatos e instituições para a reflexão sobre atual situação da Bacia do rio Pardo, compartilhamento de múltiplas experiências e perspectivas dos atores presentes. O poema de Ademar Bogo trouxe o momento o histórico, a conjuntura, a macro visão e especificidade do contexto atual à situação da Bacia do rio Pardo e sua população. Que diremos aos nossos filhos? Quando acabar a comida, quando acabar o trabalho, e a esperança de vida? Que os governantes são bons? Que os policiais são amigos do povo? Que caixões de companheiros assassinados são a vontade do Criador? (…)

O painel “A realidade política ambiental nacional e o contexto hídrico e socioeconômico da Bacia do Rio Pardo”, foi facilitado por Charles Leonel Galvão Sanchês, do Instituto Federal Baiano (IFBA) que trouxe questões acerca da água, motivadoras de sua alteração de local, acesso, qualidade e custo para a utilização, e aspectos gerais da Bacia do rio Pardo. Ronaldo do Centro de Agricultura Alternativa de Minas Gerais – CAA apresentou o contexto da região mineira com o Plano Diretor de Recursos Hídricos dos afluentes mineiros do rio Pardo de Minas (PDRH – PA1), ações em defesa e recuperação de territórios por comunidades tradicionais, processo de retomada, iniciativas de recuperação de nascentes e também os problemas e fatores agravantes. Para completar o painel, a contribuição de Joaci do Centro de Estudos e Ação Social (CEAS) abordando a questão do meio ambiente e a relação com o modelo de desenvolvimento capitalista, estando assim a luta ambiental hoje intrínseca à luta contra o modelo capitalista e pela sobrevivência da vida no planeta terra. O público participou com questões e depoimentos possibilitando iniciar diálogos com a mesa e iniciar o intercâmbio de vivências.

As atividades da tarde iniciaram com a palestra: O projeto de segurança hídrica do Território do Sudoeste (o rio Catolé), o papel do Ministério Público na questão ambiental e o Comitê Gestor de Bacia hidrográfica, facilitada por Karina Gomes Cherubini, promotora de Justiça Regional de Meio Ambiente de Vitória da Conquista.

A palestra conteve informações sobre a legislação e comprometimento dos órgãos públicos com relação à segurança hídrica que perpassa a escassez e excesso da água, abrangendo os agravantes e alternativas do colapso hídrico. Como experiência a promotora expôs a trajetória do movimento e do Plano Interinstitucional: todas as cores pelo rio Catolé Grande, que traz os empasses e obstáculos encontrados na luta em defesa dos rios, ressaltando a detenção de recursos humanos mobilizados para sobrepor as adversidades, o que motiva e anima a continuidade de resistência e a apropriação de formas e possibilidades para a busca ativa de alteração de outros territórios.

À tarde contou ainda com a apresentação do trabalho “Problemas e experiências ambientais nas bacias dos afluentes do Rio Pardo: Jundiá Córrego do Nado, Verruga, São Pedro, Bonito, Maiquinique, Água Fria Barra Nova, Tapera Vila do Café, Catolé Itapetinga”. Em mesa composta por representantes das regiões ouviu-se os relatos mais íntimos de quem vivencia os problemas e as ações em desenvolvimento para contrapô-los. Ficou evidente as questões comuns que envolvem as regiões, como a monocultura de eucalipto, agrotóxicos, o descarte de lixo e dejetos nas águas, o desmatamento e o esgotamento de nascentes e rios. Em contrapartida, relatos de ações em desenvolvimento que atuam como pontos de resistência, da existência de lutadoras e lutadores engajados na preservação dos rios, na luta pela água, pela vida e dignidade do povo e do meio ambiente.

A noite cultural, com o lançamento da cartilha: “CONDEMA – Subsidio à atuação dos Conselhos de Meio Ambiente na Bacia do rio Pardo e seus afluentes na Bahia”, de autoria do Centro de Estudos e Ação Social e do Fórum de Entidades e Movimentos Sociais do Sudoeste da Bahia, finalizou as atividades do primeiro dia do encontro com arte e cultura popular regional, promovendo a integração e união de lutas e interesses. 

Que diremos aos nossos filhos?
Quando acabar a comida,
Quando acabar o trabalho,
E a esperança de vida?
Que os governantes são bons?
Que os policiais são amigos do povo? 
Que caixões de companheiros assassinados
São a vontade do Criador?

Se assim fizermos
Um dia faltará
Comida.
Já não terá esperança.
Nem nossos filhos com vida.
que diremos então?
Que tudo é dos senhores?
Que somos todos irmãos?
E só morrem sonhadores?
Não!

Já não podemos calar.
Chega o tempo de vencer,
Chega o dia de lutar,
Sem morrer.
A única forma de vencer a morte
É enfrentá-la.
único jeito de vencer é lutar,
único modo de fazer justiça,
É continuar lutando.
Assim viveremos eternamente

Ademar Bogo

 

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