Início » Campo

Viveiro no acampamento Lindaura: um fruto do Intercâmbio em Irecê

25 fevereiro 2011 Comentários desativados em Viveiro no acampamento Lindaura: um fruto do Intercâmbio em Irecê

De 03 a 06 de novembro de 2010 acampad@s do acampamento Lindaura Lacerda, Encruzilhada – BA, técnicos e assessores do CEAS participaram no intercâmbio sul-sul em AGROECOLOGIA em Irecê que reuniu vários parceiros da ONG suíça E-CHANGER no Instituto de Permaculturas em Terras Secas, IPÊTERRAS (Irecê – BA).

Este encontro rico em aprendizados, troca de experiências e momentos com muita emoção nos trouxe novas energias e motivações para seguir as nossas lutas. Deixamos Irecê confiantes que as sementes trocadas e plantadas neste encontro encontrarão uma terra fértil e a água da vida para brotar. Na viagem de volta para o sudoeste baiano, entre sono e sonho, as nossas cabeças transformaram as impressões, nasceram ideias que se transformaram em projetos. De volta ao acampamento a troca de impressões com @s companheir@s foi intensa – as ideias foram compartilhadas e as discussões alastraram-se por todos os cantos do acampamento. Logo depois, impacientes, alguns começaram a colocar as sementes trazidas de Irecê na terra – em volta de suas casinhas…

E agora? Fazer o quê? Como transformar ideias e sonhos em atos concretos, numa realidade nova? Como trazer um beneficio para o coletivo?

Lembramos que no começo de 2010 um mutirão já deu inicio a implantação de um viveiro com material de produção fornecido pelo PSAN. Uma área foi escolhida, roçada e cercada…. depois o mato tomou conta. A retomada deste projeto já foi discutida e iniciada no final de outubro 2010 com o apoio dos técnicos do movimento MPA, isto é antes de participar no intercâmbio em Irecê. O intercâmbio nos trouxe a força e a vontade de tocar em frente este viveiro com as famílias acampadas.

Em mutirões esta área foi reconquistada, elevada uma estrutura para receber as mudas e foi aberto um poço aí perto para garantir a água para regar as mudas. Enquanto uns organizaram terra boa, esterco e calcário outros foram em busca de sementes na vizinhança ou colheram sementes das árvores nativas presentes da caatinga.

Segunda-feira, dia 22 de novembro 2010, mais um dia de mutirão no viveiro: roçar e limpar a área, juntar e compostar esta matéria orgânica, misturar a terra, esterco e calcário, peneirar esta mistura, encher as sacolinhas, debulhar sementes e quebrar a dormência, semear e molhar as futuras mudas – tinha tarefa para tod@s! Mais uma vez os jovens e o grupo de mulheres participaram com muita força e vontade.

Tod@s participaram no rodízio para regar as mudas, até as chuvas ajudaram nesta tarefa. No 12 de dezembro 2010 voltamos para mais um dia de trabalho no viveiro; foi com muita alegria e orgulho que observamos que boa parte das sementes de Ipê levantaram – as folhas buscando a luz do dia.

Atacamos com mais vontade ainda os trabalhos no viveiro embora que as muriçocas nos perturbaram bastante. Neste dia ampliamos a função do viveiro: foram plantadas 06 variedades de mandioca na área do viveiro que virou assim também uma área experimental e de preservação do patrimônio genético, em complemento ao banco de sementes já existente.

Pela manhã a busca de sementes na caatinga continuou: mais não foram quaisquer sementes, não, os jovens foram em busca de sementes do Tamburi. São árvores majestosas que atingem até 35 metros e, pelo que parece, abundantes há tempos atras inspiraram um dos antigos donos destas terras que baptizou a Fazenda com o nome de Tamburi.

Hoje, o Tamburi se faz mais raro; algumas árvores sobreviveram a agressão da ação do homem e do clima; a Fazenda é ocupada, e os jovens acampad@s se mobilizam para resgatar as sementes. Tudo um símbolo!

Depois do almoço, os mesmos jovens debulharam boa parte das sementes em troca de um geladinho. Depois, Francisco, técnico do MPA, mostrou-nos várias técnicas para quebrar a dormência das sementes. Em seguida voltamos para a área do viveiro, plantando e semeando mais grãos. No final da tarde já contamos com quase 1000 sacolinhas no viveiro, sendo a metade já semeada e a outra pronta para receber sementes.

Entretanto, o trabalho nas roças atirou a atenção das famílias no acampamento. Nem por isso, os trabalhos no viveiro foram abandonados. As chuvas ajudando, o rodízio para regar as mudas continua firme, só a limpeza sofreu um tantinho…

Sonhar é permitido: quem sabe, a nossa companheira caatingueira Índia, Ipeterras, Irecê, estará conosco para estrear o plantio destas primeiras mudas na caatinga do acampamento…

Enquanto as nossas mudas crescem no viveiro continuamos a nossa caminhada rumo ao nosso sonho: implantar um sistema agroflorestal, SAF no acampamento. No dia 11 de fevereiro 2010 vamos encontrar @s companheir@s do Assentamento Mumbuca para descobrir outras práticas agroecológicas, compartilhar experiências e práticas – aprender juntos.

Esta página não recebe comentários.