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Programa Rural

O método de assessoria do CEAS, especialmente na zona rural, é marcado pela busca constante de diálogo com os trabalhadores, donde resulta enriquecimento mútuo: os trabalhadores começam a ser despertados para possibilidades de ações conjuntas que inicialmente partem de situações artificiais, como reuniões que despertam o interesse dos participantes, tornando-se práticas necessárias à vida desses trabalhadores para o enfrentamento de todas as questões que lhes dizem respeito.

Em seu trabalho de assessoria o CEAS não toma nenhuma das instituições vigentes como sagrada, e nem como inconveniente; quem determina a maior ou menor vinculação dos trabalhadores com elas é o momento em que eles vivem. Uma característica do método de intervenção é que qualquer iniciativa deve partir dos trabalhadores. Como o trabalho vai se desenvolvendo inserido na própria dinâmica da sociedade, muito conteúdo surge determinado por esta relação trabalhadores e sociedade.

O conteúdo fundamental do trabalho de assessoria é definido desde o momento em que nos constituímos como serviço ao movimento popular. Interessam-nos principalmente a organização e a mobilização dos trabalhadores; a forma como se distribui e exerce o poder dentro da própria organização popular, ou mesmo a construção do poder alternativo dos trabalhadores dentro da sociedade mais ampla; a democracia dentro do movimento popular, movimento sindical e oposição. Assim, a assessoria que se procura prestar tem sido montada em função de um determinado projeto de sociedade mais justa e igualitária, entendendo que as sementes desta sociedade futura são as práticas do presente.

Assessoria Rural:

A Equipe Rural atual do CEAS está assim constituída: um advogado, com especialização em causas trabalhistas; uma educadora, com especialização em planejamento participativo; uma agrônoma; e um técnico com formação superior em Filosofia e Teologia. Todos os membros da Equipe têm larga experiência junto aos movimentos populares e atuam há diversos anos em atividades de assessoria. A Equipe Rural está intimamente articulada com a Equipe Urbana, seja do ponto de vista institucional (interno), seja do ponto de vista das atividades desenvolvidas (externo); e também com a Equipe de Redação da Revista, onde participa com três membros. Além disso, a Equipe mantêm atividades específicas e periódicas para acompanhamento das atividades em suas áreas de atuação, discussão de assuntos de interesse coletivo e definição de sua atuação, de acordo com a programação e os objetivos de sua intervenção.

Na atual conjuntura, a questão central que se coloca é como os trabalhadores que desejam permanecer no campo, e todos aqueles que querem voltar a ele através da luta pela terra, podem reproduzir seus meios de vida e de trabalho. Nesta perspectiva e a partir desta análise, o CEAS considera que o eixo luta pelo acesso a terra permanece válido, porém necessitando ser atualizado. Se por um lado não dá para aceitar como resolvida à questão da terra em decorrência de um processo de relativo esvaziamento do campo, nem através da “reforma agrária” de mercado (voltada para capitalizar os latifundiários improdutivos), por outro não podemos fechar os olhos frente às consequências de tais fenômenos sobre os movimentos sociais.

Áreas de Atuação da Equipe Rural:

  • Sudoeste da Bahia: A região Sudoeste da Bahia abrange mais de 20 municípios e conta com uma população de, aproximadamente, um milhão de habitantes. Vitória da Conquista, com 272.585 habitantes, é o centro mais importante da região e a segunda maior cidade do interior baiano. De vocação eminentemente agrícola, a região sofreu uma mudança significativa a partir dos anos 70 com a implantação do pólo cafeeiro provocando, inclusive, um forte aumento populacional de algumas cidades, principalmente Vitória da Conquista.
  • Sul da Bahia: O Litoral Sul, região econômica da Bahia que compreende as Sub-regiões Sul e Baixo Sul, possui uma população estimada em 1.450.000 habitantes distribuída entre 54 municípios. Destes, boa parte teve na lavoura cacaueira a principal referência de sua história sócio-econômica durante várias décadas do Século XX.
  • Zona da Mata Alagoana: A tendência básica estadual dos anos ’90 se nutre do “reajuste” econômico – político. Nas Alagoas da última década do século XX, com seu centro secular ainda no setor sucro -alcooleiro, fecharam 11 das 27 usinas e destilarias que existiam até 1989. O lado mais aparente desta crise é a terra presa vs. liberada às dinâmicas produtivas. Mas o lado mais social é a massa de 60 mil famílias de “assalariados” que só começou a procurar saídas na ocupação de terras, com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem – Terra (MST), a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e outras pequenas forças.